Sobre 2020 e a publicação de Sabendo que és minha

Hoje é o último dia de 2020 (amém) e ainda não entendi o que é ter um livro publicado. Há muitas alegrias, mas também obrigações, principalmente porque envolve um edital público. No meu caso, no caso de Sabendo que és minha, o Proac. Há muitas expectativas e julgamentos quando falamos da realização de um livro. É um trabalho, sabe? Exige tempo, disciplina e dedicação. A experiência com Sabendo que és minha me mostrou que meu problema não é escrever, mas publicar. Publicar é assumir a exposição e tornar públicas coisas que não são, não foram, existiram, foram alteradas, imaginadas, sonhadas, desejadas. Publicar é colocar na rua, para julgamento, uma parte minha que não sou eu. Estou aprendendo a lidar com isso.

No silêncio e na solidão da pandemia, escrevi. Escrevi, apaguei, li, editei, revisei, corrigi, mudei, dei nós, soltei outros, deixei ir e, enfim, publiquei. Ora sozinha, ora acompanhada. Mas sempre da mesma mesa no meu escritório bagunçado, olhando para a parede suja que planejei pintar e ainda não fiz. Sabendo que és minha foi lido e recebi respostas. Acredito que tenha alguém que não tenha gostado por aí e queria, muito, conversar com essa pessoa. Ou essas pessoas. Em 2020, muito do que sonhei com o livro não aconteceu. Não houve lançamento, não abracei minhas pessoas, não fui à gráfica e nem pude entregar exemplares pessoalmente. Mais uma vez, da madeira maciça da minha escrivaninha fiz o possível. Como todos nós fizemos em 2020. O possível.

Há muito a ser feito ainda no que diz respeito ao livro e seu lançamento. Pouco mais de três meses se passaram desde a publicação. Deveria parecer pouco mas, em 2020, cada mês é formado por pequenas eternidades. Foi há muito tempo atrás que abri meu computador e pensei que ali, naquela junção de palavras, havia um livro. Foi há muito muito muito tempo atrás que as coisas começaram a andar e eu não consegui acompanhar como desejei. Ia escrever poderia, mas não poderia. Publicar é lidar com a realidade. Inclusive a de que não é possível fazer tudo o tempo todo. Uma palavra, uma frase, uma oração por vez. Ao fim do dia não se tem um livro. Ao fim dos meses? Talvez. A jornada que me pareceu tão exaustiva em alguns momentos agora é só lembrança.

Para 2021, minha única promessa é escrever. O resto se ajeita.
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Fabrina Martinez - Escritora, poeta, jornalista.

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