Sobre escrever e publicar um livro I

Nessa série, compartilho minha experiência em escrever e publicar um livro. Esse é um processo que envolve muitas decisões e a primeira delas é escrever. Pode soar óbvio, mas não é.


Foto de Paula Mello


Eu vou.

 

Essa foi a primeira decisão que tornou a novela Sabendo que és minha possível. Durante muitos e muitos anos, eu quis escrever um livro. Comecei alguns esboços e não segui adiante. Nenhum deles fazia sentido em qualquer prazo. Talvez nem esse fizesse e, em alguns momentos não fez, mas segui adiante. O mar parecia estar de acordo. 

 

Há uma sensação de estranheza ao escrever. Eu vou escrever um livro é diferente de estou escrevendo um livro. Assim como o luto e o amor, a escrita acontece no gerúndio. É um processo que pode durar dias, semanas, meses ou anos. Há muita coisa concreta e tangível em escrever um livro. É um trabalho. Por mais romântico que seja o tratamento dado ao ofício da escrita, escrever é um trabalho e precisa ser visto como tal. Trabalho. Demanda tempo, conhecimento, decisões, investimento. Acrescente dificuldades às demandas se você for mulher. Sou incapaz de dizer quão difícil é para uma mulher preta.

Escrever é trabalho.
 

A frase ‘estou escrevendo um livro’ tem significados práticos, técnicos, subjetivos e pessoais. Virginia Woolf, em Um teto todo seu, afirma que “a ficção, quer dizer, o trabalho imaginativo, não cai como uma pedra no chão, como na ciência; ficção é como uma teia de aranha, presa por muito pouco, mas ainda assim presa à vida pelos quatro cantos”. Já Maria Gabriel Llansol, em Finita (Diário II), afirma que “são duas da tarde, mas pela concentração já é de noite”. É isso.

 

Escrever exige. Exigiu de mim. Para escrever e publicar meu primeiro livro, precisei de anos de estudo, prática e leitura. Muita leitura. Antes de ser escritora ou jornalista, sou leitora. Também precisei de um teto todo meu, recursos, tempo, investimento (no caso, a bolsa do ProAc) e disciplina. Precisei, sobretudo, de suporte emocional. Foram anos imersa no luto. Sentindo e escrevendo. No gerúndio. Escrever ficção altera a regularidade da vida e me fez estrangeira.

Apesar disso, é um trabalho. E deve ser visto como tal. 

 

Fabrina Martinez é leitora, jornalista e escritora. Nasceu em Campo Grande (MS) e mora em Marília, interior de São Paulo. Comtemplada pelo Edital PROAC Nº 17/2019 – Produção e Publicação de Obras de Ficção, Sabendo que é minha é seu primeiro livro e foi publicado pela Editora Jandaíra na primavera de 2020. Esse site é parte integrante do projeto. O livro está em pré-venda no site da Editora Jandaíra ou pelo e-mail oi@fabrinamartinez.com a partir das 10h31 (horário de Brasília) do dia 22 de setembro. Também é primavera.

Compartilhe!
Deixe seu comentário

Leia mais em:

Leia Também

Texto sincerão sobre o Proac
14/01/2021
Texto sincerão sobre o Proac
Sobre 2020 e a publicação de Sabendo que és minha
31/12/2020
Sobre 2020 e a publicação de Sabendo que és minha
No começo, era um blog
24/11/2020
No começo, era um blog
Livros para quem quer escrever livros
06/10/2020
Livros para quem quer escrever livros
Assine gratuitamente a newsletter * Fabrina com F * e receba toda semana o puro suco dos blogs da década de 2000. Narrativas, anginas, digressões, resenhas e comentários feitos por uma mulher que escreve.
Fabrina Martinez - Escritora, poeta, jornalista.

Fabrina Martinez - Escritora, poeta, jornalista.

Proac